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Natural de Barra do Sana, fazenda situada na serra que
liga Macaé a Friburgo, veio ainda criança para o Rio de Janeiro. Teve no pintor Júlio de Oliveira, professor da Escola Nacional Belas Artes, seu primeiro orientador nas artes plásticas. Com vocação natural de pintor, optou por desenvolver sua formação a partir de experiências próprias, ao longo de mais de três décadas; mais precisamente, a partir dos 14 anos de idade, quando passou a freqüentar ateliers de artistas e colecionar quadros de artistas contemporâneos radicados no Rio de Janeiro. Em 1978, passou 10 meses entre Paris, Florença e Londres, onde participou de palestras em museus e conviveu com artistas de nacionalidades e estilos diversos. A partir do início da década de 80, passou a dedicar-se com afinco ao desenvolvimento da pintura buscando incessantemente um estilo próprio. O resultado é uma pintura que se destaca pela força da expressão, com traço singular, sem se repetir na profundidade das cores. Criatividade com estilo é marca do pintor Hygino Vieira, que alcança reconhecimento além das fronteiras do Brasil. Hygino Vieira é um artista que não compactua com a pintura fácil, decorativa. Tem, como Picasso, os mesmos impulsos de procura insaciável, que o colocam como pintor original e liberto de correntes conservadoras, previstas. Léo Christiano Soares Alsina, editor de Portinari, Israel Pedrosa, Malagoli, Martinho de Haro, Inimá de Paula etc., dizem da pintura de Hygino Vieira: Quem vê um quadro de Hygino Vieira, não fica apenas na contemplação. Reage. Sua maneira nervosa de passar para a tela a conjunção feminina, observada de perto e à distância, ou mesmo a visão de personagens vigilantes, farejantes e narigudos, se traduz em pintura que resulta de gestos rápidos. A obra já está resolvida na cabeça, amadurecida ao longo de paciente observação. Sua projeção na tela se processa da forma mais instantânea possível, sem espaço para retoques; na ânsia de conter o infinito numa expressão. Ele traz dentro de si o Grito de Munch, visto (e ouvido) em todo o planeta. Suas telas partem pelo mesmo caminho, na busca do mesmo alvo. Somos todos convidados a viajar de primeira classe na sua arte Num trecho de conversa entre Picasso e seu biógrafo Zervos, o gênio da arte do século se sai com essa: A pintura não é feita para decorar apartamentos. É um instrumento de guerra ofensiva e defensiva contra o inimigo . Por aí é que o pintor Hygino Vieira encontrou sua identidade. O artista e o guerreiro tem a mesma face. Arthur Dapieve, colunista de O Globo: Gosto dos quadros de Hygino Vieira; gosto da visceralidade deles, da força, do calor das cores. |