Viagem ao
mundo de Hygino Vieira
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Nei Leando de Castro
........É
preciso usar todos os sentidos para se penetrar no mundo mágico,
fascinante, da
pintura de Hygino Vieira. A visão
deve ser auxiliada pelo olfato, para que se sinta o cheiro
que vem das mulheres poderosas, de púbis negros, pêlos abundantes,
todas se oferecendo para
uma noite de prazer, de realismo mágico, de loucuras. O espectador
mais sensível com certeza
há de ouvir os gritos e gemidos dessas mulheres pintadas em cores
fortes e contornos abruptos,
sob a atmosfera dramática que remete ao expressionismo.
.....É
necessário que o tato percorra a saliência, os homens deformados
pelo olfato, as flores que
parecem em alto-relevo, os contornos das paisagens que saem da "selva
escura" de Dante
para uma claridade mediterrânea.
.....O sabor
da sudução e do pecado também está em todas
as telas de Hygino. Sua arte nos chega
já madura, pronta, irretocável, depois de filtradas as possíveis
influências. È evidente o seu
parentesco espiritual com os primeiros expressionistas, dentre os quais,
Franz Marc, Soutine e
Munch. Às voltas com esses artistas - verdadeiras forças
da natureza - e, como eles, subvertendo
traços e cenários, deformando ainda mais os pescoços
femininos à Modigliani, Hygino Vieira
surge com uma intensidade poucas vezes percebida nas artes plásticas
do país. Suas telas são
de um pintor veterano, dono de uma fortíssima personalidade.
.....O poeta
Jorge de Lima dizia que para entrar no seu poema era preciso ter sal-gema.
Para se
descobrir o mundo de Hygino Vieira é preciso aguçar os sentidos
e ir em frente. Quem o fizer,
com certeza conhecerá o prazer da descoberta, a emoção
de um encontro que surpreende e
impressiona, o vigor de uma arte que ilumina as páginas de um álbum
ou os vastos espaços
de uma galeria.
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